Candidato a prefeito de Itajaí fala sobre possível alteração no laudo de água



Polícia Civil está investigando possível alteração em laudos que apontavam "gordura humana" na água. PF deve investigar se houve crime eleitoral

O candidato a vereador de Itajaí, Robison Coelho (PSDB), realizou uma entrevista coletiva, no fim da tarde desta segunda-feira (9), para tratar sobre as acusações do seu envolvimento em uma possível alteração nos laudos da água de Itajaí.

O candidato do PSDB informou que “em nenhum momento, note-se, este laudo foi utilizado na campanha” e afirmou que o então prefeito do município, Volnei Morastoni (MDB), aproveitou-se politicamente, já que vazou o documento no grupo de presidentes de comissões da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Itajaí.

Campanha de candidato a prefeito de Itajaí fala sobre possível alteração no laudo de água. Foto: Paulo Metling/NDTV

“A partir dai, armou-se uma versão falsa e caluniosa de adulteração do laudo, agora sim utilizada pela coligação de Volnei Morastoni de forma eleitoreira e rasteira”, finalizou.

João Paulo Tavares Bastos Gama, coordenador da campanha do candidato, disse que escutou diversas manifestações de eleitores que a “água servida nas caixas d´água espalhadas pela cidade provinha de uma antiga fonte que foi interditada no passado por supostamente conter necrochorume (produzido pela decomposição de cadáveres)”.

Em seguida, afirmou que a coleta da água foi filmada e repassada ao laboratório que faz os laudos para o Semasa (Serviço Municipal de Água, Saneamento Básico e Infraestrutura).

Entenda o caso

A Polícia Civil de Itajaí investiga uma possível alteração em um laudo usado pela OAB, subseção de Itajaí, para ordenar que o Semasa cessasse a distribuição de água de poços. O laudo aponta que a água estava contamina por “restos mortais”. A Polícia Federal pode abrir um inquérito de crime eleitoral, e também participa da investigação, para descobrir se houve crime eleitoral no uso dos laudos durante a campanha.

O laudo alega que a água distribuída nos pontos do Semasa, depois que a barragem Rio Itajaí-Mirim foi rompida e a água da rede passou a vir salgada, estava contaminada por “restos mortais de seres humanos”.

A água distribuída nestes pontos vinha de um poço na Praia Brava, próximo a um cemitério. “Por si só, leva a uma conclusão sumária de que o lençol freático está contaminado”, alega o ofício da OAB, entregue ao Semasa.

Entre os envolvidos na investigação está Jucelino Alexandre da Silva, colaborador da campanha política da coligação adversária ao atual prefeito. Ele seria o responsável pela coleta e apresentação da água analisada, retirada de um poço na Praia Brava, que estaria contaminada.

No entanto, nos documentos apresentados pela OAB para sustentar a afirmação que a água estava contaminada, consta que o solicitante do serviço do laboratório foi Francisco de Assis Reinaldo da Silva, ex-candidato a vereador em Itajaí, em 2012, e voluntário do comitê de Robison nas eleições deste ano.

André Gustavo Sandri Silva, outro colaborador da campanha do candidato, teria solicitado ao dono do laboratório que colocasse o nome da OAB no laudo da água apontada como contaminada, em áudios divulgados.

Em áudios, André, conhecido como “Deco”, pede para o dono do laboratório use os dados de Francisco, conforme “Juça” (apelido de Jucelino Alexandre da Silva) havia repassado, ao invés de emitir o laudo em nome da OAB.

Com o laudo em mãos, o advogado da coligação enviou o documento para à OAB. Conforme apurado pela reportagem da NDTV, a entidade não questionou a origem do laudo, notificou o Semasa e apresentou o resultado da análise ao Ministério Público, solicitando que o fornecimento de água fosse suspenso.

Segundo o coordenador jurídico da campanha de Robison, João Paulo Tavares Bastos, houve confusão de André Gustavo Sandri Silva, que entendeu que era para colocar o nome da OAB no laudo da água analisada. O pedido foi feito por mensagens de áudio encaminhadas ao proprietário do laboratório. No fim, o laudo foi emitido em nome de Francisco. A reportagem tentou contato com ele, sem sucesso.

O empresário Jorge Luiz Isolani, que analisou a água, já prestou depoimento. Ele diz que não conhece os citados e demonstrou surpresa com o envolvimento do nome de sua empresa na investigação.

O coordenador geral da campanha afirma que já havia pedido uma análise da água a Aresc (Agência Reguladora de Serviços Públicos de Santa Catarina), mas o laudo ainda não saiu.

A coligação Unir e Renovar, do candidato a prefeitura de Itajaí Robison Coelho, reforça que os fatos mencionados nas últimas semanas em redes sociais e sites de notícias, de suposto crime eleitoral, não se confirmam, mas diz que o pedido para analisar a água em distribuição para um hospital do município, que poderia estar contaminada, partiu mesmo de um membro do partido.

Confira a nota na íntegra:

Candidato a prefeito de Itajaí fala sobre possível alteração no laudo de água - Reprodução/ND

Candidato a prefeito de Itajaí fala sobre possível alteração no laudo de água - Reprodução/ND

Candidato a prefeito de Itajaí fala sobre possível alteração no laudo de água - Reprodução/ND

Candidato a prefeito de Itajaí fala sobre possível alteração no laudo de água - Reprodução/ND


Fonte: ndmais.com.br

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